
Você provavelmente já foi impactado por anúncios que prometem “dentes fixos em 24 horas” ou a famosa “carga imediata”. Para quem sofre com a perda dentária ou o desconforto de próteses removíveis, essa promessa soa como um sonho.
No entanto, é natural (e até saudável) que você sinta uma ponta de desconfiança. Afinal, se a biologia humana leva tempo para cicatrizar um simples corte na pele, como é possível fixar um dente no osso e sair mastigando no mesmo dia?
A resposta para essa dúvida não é mágica, é puramente científica. A implantodontia moderna evoluiu a um ponto onde a agilidade é possível, mas ela não é universal. Na Thiesen Odontologia, acreditamos que a confiança se constrói com transparência.
Por isso, este artigo não vai apenas vender a ideia de rapidez; ele vai explicar os bastidores biológicos e técnicos que separam o sucesso do fracasso.
Vamos equilibrar a balança entre o desejo de agilidade e a responsabilidade clínica, ajudando você a entender se o seu caso permite a via expressa da carga imediata ou se a rota segura do método tradicional é a melhor forma de proteger o seu investimento e o seu sorriso.
O que realmente significa carga imediata?
Ao contrário do que o nome pode sugerir para o público leigo, a carga imediata não significa necessariamente que o tratamento termina no dia da cirurgia. O conceito técnico refere-se à instalação de uma prótese (o dente visível) sobre o implante (o parafuso de titânio) em um período muito curto: imediatamente após a cirurgia ou em até 72 horas.
Na maioria dos casos, o dente que você recebe neste primeiro momento é uma prótese provisória. Ela é esteticamente agradável e funcional, permitindo que você retome sua vida social e profissional sem janelas de constrangimento, mas ainda não é a coroa de cerâmica definitiva.
O objetivo dessa técnica é devolver a autoestima e a função mastigatória leve enquanto o organismo trabalha nos bastidores para consolidar a união entre o osso e o implante.
A grande vantagem é óbvia: o paciente passa por uma única cirurgia e já sai com o problema estético resolvido, evitando meses de uso de próteses removíveis instáveis ou desconfortáveis. No entanto, para que essa “mágica” aconteça com segurança, precisamos vencer um inimigo invisível: a micromovimentação.
A ciência por trás da fixação: entendendo a micromovimentação
Para entender os riscos e benefícios, precisamos mergulhar brevemente na biologia. Quando um implante é colocado, ele precisa passar pelo processo de osseointegração, a formação de osso novo ao redor do titânio, travando-o permanentemente. Historicamente, acreditava-se que qualquer movimento durante esse período levaria à falha.
Hoje, a ciência sabe que existe um “limiar de tolerância”. Se o implante sofrer pequenos movimentos (micromovimentação) acima de 150 micrômetros (µm), o corpo entende aquilo como uma agressão constante.
Em vez de formar osso duro, o organismo forma um tecido fibroso mole (semelhante a uma cicatriz na pele), o que impede a fixação do implante e leva à sua perda.
O segredo da carga imediata é garantir que, mesmo com um dente instalado, o implante não se mova mais do que esses 150 micrômetros toleráveis. Isso exige uma precisão cirúrgica absoluta e uma estabilidade mecânica inicial extremamente alta. É aqui que a tecnologia e a experiência do profissional deixam de ser luxo e viram necessidade.
Quem é o candidato ideal para a carga imediata?
Não basta querer; o seu corpo precisa permitir. Para que a equipe da Thiesen Odontologia dê o “sinal verde” para você sair com dentes no mesmo dia, uma lista rigorosa de pré-requisitos técnicos deve ser preenchida.
O diagnóstico é feito com base em exames de imagem avançados, como a tomografia computadorizada, que realizamos aqui mesmo na clínica para maior comodidade e precisão.
Os principais critérios incluem:
- Torque de inserção elevado: durante a cirurgia, medimos a força necessária para rosquear o implante no osso. Essa força é medida em Newtons por centímetro (Ncm). O consenso científico estipula que precisamos de um torque mínimo de 32 a 40 Ncm para autorizar a carga imediata. Se o implante entrar com menos força que isso, ele está muito “solto” para receber um dente imediatamente.
- Qualidade óssea: o osso não é igual em todas as pessoas ou em todas as partes da boca. Ele é classificado de D1 a D4. O tipo D1 é denso como madeira de carvalho, ideal para fixação imediata. Já o tipo D4 é poroso como isopor. Pacientes com osso muito poroso geralmente não oferecem a resistência necessária para travar o implante com a força exigida.
- Estabilidade ISQ: Além do torque manual, utilizamos aparelhos que medem a frequência de ressonância do implante (ISQ). Valores acima de 70 indicam que a estabilidade é suficiente para suportar a carga da mastigação provisória.
Quando o Implante Tradicional é a escolha mais segura
Existe uma narrativa de marketing que tenta pintar o Implante Tradicional (ou carga tardia) como algo obsoleto. Isso é um erro grave. O método tradicional continua sendo o processo ideal para maior segurança em casos complexos.
Neste protocolo, o implante é instalado e deixado “dormindo” sob a gengiva por um período de 3 a 6 meses. Durante esse tempo, ele não recebe nenhuma força de mordida, o que garante que a osseointegração ocorra em um ambiente perfeitamente protegido, sem riscos de micromovimentação excessiva.
O Implante tradicional é a indicação mais honesta e responsável quando:
- Há necessidade de enxertos ósseos: se você precisa reconstruir o osso (enxerto) no mesmo momento da cirurgia, aplicar carga imediata poderia desestabilizar o enxerto e comprometer o resultado final.
- A densidade óssea é baixa: em regiões de osso tipo D3 ou D4 (mais macio), o implante pode não atingir o travamento de 32 Ncm. Nesses casos, forçar uma carga imediata seria um jogo de azar com a sua saúde. O correto é fechar a gengiva e aguardar o tempo da natureza.
- Fatores de risco sistêmicos: pacientes fumantes inveterados ou diabéticos não controlados possuem uma cicatrização mais lenta e maior risco de infecção. O protocolo tradicional oferece uma margem de segurança maior para esses perfis.
Optar pelo método tradicional não significa que seu tratamento “deu errado”. Pelo contrário, significa que seu dentista priorizou a longevidade do seu sorriso em vez de uma promessa de rapidez que poderia custar caro depois.
Mitos e contraindicações: o que ninguém te conta
A carga imediata não é recomendada para pacientes com bruxismo severo (ranger de dentes) não controlado. A força excessiva gerada pelo bruxismo pode “balançar” o implante recém-colocado além do limite de segurança, rompendo a formação óssea.
Outro ponto crucial é o tabagismo. O cigarro prejudica a vascularização e a cicatrização, aumentando significativamente o risco de falha, tanto na carga imediata quanto na tardia. Embora não seja uma contraindicação absoluta em todos os casos, é um fator de alerta vermelho que discutimos abertamente nas consultas.
Também é importante desmistificar a “rejeição”. O implante dentário é feito de titânio, um material biocompatível que não gera resposta imunológica de rejeição pelo corpo.
Quando um implante falha, geralmente é devido a infecções bacterianas, sobrecarga mecânica (mastigar algo duro antes da hora) ou falha na osseointegração por qualidade óssea ruim.
Tecnologia e conforto: a diferença na experiência
Para minimizar esses riscos e aumentar a previsibilidade da carga imediata, a tecnologia é nossa grande aliada. Na Thiesen Odontologia, todo o planejamento é digital. Utilizamos o escaneamento intraoral e a tomografia computadorizada para criar um mapa 3D da sua boca antes mesmo da cirurgia.
Isso nos permite realizar a cirurgia guiada, muitas vezes sem a necessidade de cortes extensos na gengiva, o que reduz o inchaço e a dor pós-operatória. Além disso, trabalhamos com as melhores marcas mundiais de implantes, que investem pesadamente em pesquisas de superfície para acelerar a cicatrização óssea.
E para quem tem medo de dor? A resposta é simples: o implante não dói!
A cirurgia é feita sob anestesia local potente e, para os pacientes mais ansiosos, oferecemos a sedação consciente com óxido nitroso (o “gás do riso”) ou sedação endovenosa com médico anestesista. Você relaxa ou dorme durante o procedimento e acorda com o problema resolvido.
O seu papel no sucesso: cuidados pós-operatórios
Se o dentista garante a técnica, o paciente garante a manutenção. Na carga imediata, a colaboração do paciente nas primeiras semanas é decisiva.
Como o implante ainda não está 100% colado ao osso, você não pode testar a resistência dele com alimentos duros. A dieta deve ser estritamente líquida e pastosa (fria ou morna) por um período que varia de 30 a 60 dias.
Mastigar uma castanha ou um pedaço de carne dura nesse período pode gerar uma força superior à que o sistema suporta, levando à perda do implante.
A higiene também deve ser impecável para evitar inflamações na gengiva ao redor do novo dente. Nas primeiras 24 horas, evite bochechos vigorosos ou cuspir com força para não deslocar o coágulo sanguíneo, que é fundamental para o início da cicatrização.
Leia mais: 10 Cuidados para quem fez cirurgia de implante dentário
Conclusão: Qual o melhor caminho para você?
A escolha entre carga imediata e Implante Tradicional não é um menu onde você escolhe o que prefere, mas sim uma decisão diagnóstica baseada na sua anatomia e fisiologia.
A carga imediata é fantástica e, quando bem indicada, devolve o sorriso em tempo recorde com segurança total. Já o método tradicional é a âncora de segurança para os casos mais desafiadores, garantindo que ninguém fique sem a chance de sorrir novamente, mesmo que o processo exija um pouco mais de paciência.
Na Thiesen Odontologia, nossa missão é entregar “sorriso e autoestima”, mas sempre alicerçados na verdade clínica. Se você tem osso e estabilidade, nós vamos acelerar. Se o seu caso pede cautela, nós vamos proteger você. O importante é que, ao final da jornada, o resultado seja o mesmo: um sorriso fixo, belo e duradouro.
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Responsável técnico pelo artigo: Guilherme Thiesen CRO-SC 6117, Pós-Doutor em Ortodontia, certificado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial – BBO e palestrante internacional Invisalign.
